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- um estranho no ninho
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
O VÂO
quinta-feira, 19 de abril de 2012
VIOLENCIA
Existe violência maior do que uma criança com fome? Existe agressão maior que as falácias de um governo que promove desigualdades sociais tão dissonantes? Acredito que não e talvez por não conseguir fazer muita coisa ante tudo isso a impotência tome conta do meu ser por diversas vezes ocasiões, ouvir noticiários que derramam sangue e depois dos crimes cometidos escutar da sociedade que a violência poderia ser minimizada, fere minha consciência por saber os reais motivos para que ela aconteça.
Violência não é apenas dor física, mas também é psicológica, violência é a impunidade da qual nossos políticos saem ilesos, violência é trabalhar e não poder comprar a tão sonhada e merecida bicicleta que seu filho quer, violência é não ter onde morar é plantar e não ter o que comer é ver seu filho não ter chances iguais em qualquer disputa que concorra, é perceber que um estado tão rico só contempla quem já tudo tem difícil enumerar em quantas categorias pode-se dividi-las ao passo que só se investiga seus motivos quando convém e contra quem fora cometida.
A violência está além do cano da arma apontado para você ela está muito mais profunda enraizada, está presente na falta de saneamento básico, na falta de atendimento médico digno, está na inocência roubada pelo trabalho infantil, está no olhar discriminatório lançado aos pés descalços às roupas sujas à cor da pele aos cabelos crespos, está no comprovante de residência e apesar de se fazer presente em todos os instantes do nosso cotidiano parece se fazer maior quando atinge a elite hipócrita que finge não saber que contribui efetivamente para que ela aconteça.
Triste é saber que fazemos tão pouco para repará-la olhando muitas vezes apenas para os nossos problemas esquecemos que somos seres sociais e que o coletivo deveria sobressair ao individual.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Celebrar?
Celebrar o que nesta contemporaneidade?
Os pés descalços as barrigas vazias?
Queria ver as retinas e não mais enxergar fome, cansaço, desesperança
A singularidade deveria ser menor
A pluralidade é mais densa, porém disforme
Vislumbrar os protocolos lindos em papeis timbrados
E a vida que anseia vida acordos em desacordo
Favorecendo igualdades desiguais
Batendo a porta somente a urna eletrônica
O voto expressa antes da vontade a necessidade de um povo
Café, pão e leite
Camisetas propaganda, providenciais descamisados
Alienação enraizada perpétua
Políticos hipnotizadores vorazes
E a repressão maior se dá na fome
Pois quem na fraqueza consegue pensar?
Fica difícil juntar os pedaços
Quando nunca se teve o todo
Do muito que se faz necessário
Destinam-nos apenas o pouco
O inconformismo que conforma e cega
Sem entender o conceito de saciedade
Viver pra trabalhar somente
Trabalhar pra comer apenas
A paz de um homem injustamente medida,
No seu suor...
Ode a minha Familia
Poesia cantada vem do mais profundo da alma,
A terra seca as mãos calejadas a lida ardua,
Nasci aqui na pauliceia desvairada, avarenta, luxuriosa
Mas em minhas veias, o mais puro sangue NORDESTINO,
CERARENSE, por devoção e encantamento
De meu AVÔ; sabedoria
De meu PAI; orgulho
DE minha AVÓ; amor
De minha MÃE não menos que tudo,
O esforço a luta a FORÇA!
A vocês um simples mas sincero muito OBRIGADO!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Aquoso
Eu, coadjuvante de mim
Esperando a chuva cair
Mirando o tempo passar
Iludindo meu reflexo ante o ohlepseespelho
Contando os minutos; solitários iguais a mim
Passando o dedo na borda do copo
Na fumaça teu semblante
Na memoria tua imagem; esse arsenal de coisas boas
E , esse boato feito bruma, bucólico
Da sua volta em mim
Meu sentimento cabalístico nem sei se cabe
Ao cabo desta solidão cabal
O amor; a mim antípoda
Felicidade apoucada
Angústia aprumada
E essa dor aquietante
Cidade
Que me eleve ou cure
Os doutores sem diploma
Pelas marquises da cidade
Os diplomados por conhecimento
Conhecem onde machucar
Da janela do prédio a criança avista
Seu reflexo adornado em pesadelo
Os pés descalços o solo quente
A mão pequenina estendida
O corpo fino, a fome larga
A inocência perdida
No colorido cinza da cidade...