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  • um estranho no ninho

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

O VÂO

O vão que não passa um corpo
O vão no corpo que não fecha
O vão na boca que não fala
 O vão da janela que se abre
O vão da cortina que se fecha
O vão por onde entra a luz
O vão por onde sai o som
O vão por onde entra o pensamento
O vão por onde sai à ação
 O vão por onde escapa a lagrima
O vão por onde entra a espada
O vão na mão por onde passa a água
O vão no teto por onde sai a fumaça
 O vão da porta aberta por onde sai o segredo
O vão em vão não passa
O vão a fresta a brecha
 No coração todo mundo tem
Um vão por onde entra o amor e sai à solidão
O vão no livro aberto em pagina qualquer
O drible grande no vão pequeno
O passo pequeno no vão gigante
O vão grande de criança
O pequeno vão de adulto
O vão certo pelo vão incerto
E que o vão do saber esteja sempre aberto
O vão da poesia e não do poeta
Do poeta esse vão aberto; incompleto.
O vão no braço da Vênus
O vão em vão não passa
O  vão de um pai; o filho fecha
O vão conducente o vão clemente
O vão do pecado original; incluindo todos nós no mesmo vão.
Em 33 linhas vãs, a tentativa de explicar meu vão.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

VIOLENCIA

Existe violência maior do que uma criança com fome? Existe agressão maior que as falácias de um governo que promove desigualdades sociais tão dissonantes? Acredito que não e talvez por não conseguir fazer muita coisa ante tudo isso a impotência tome conta do meu ser por diversas vezes ocasiões, ouvir noticiários que derramam sangue e depois dos crimes cometidos escutar da sociedade que a violência poderia ser minimizada, fere minha consciência por saber os reais motivos para que ela aconteça.

Violência não é apenas dor física, mas também é psicológica, violência é a impunidade da qual nossos políticos saem ilesos, violência é trabalhar e não poder comprar a tão sonhada e merecida bicicleta que seu filho quer, violência é não ter onde morar é plantar e não ter o que comer é ver seu filho não ter chances iguais em qualquer disputa que concorra, é perceber que um estado tão rico só contempla quem já tudo tem difícil enumerar em quantas categorias pode-se dividi-las ao passo que só se investiga seus motivos quando convém e contra quem fora cometida.

A violência está além do cano da arma apontado para você ela está muito mais profunda enraizada, está presente na falta de saneamento básico, na falta de atendimento médico digno, está na inocência roubada pelo trabalho infantil, está no olhar discriminatório lançado aos pés descalços às roupas sujas à cor da pele aos cabelos crespos, está no comprovante de residência e apesar de se fazer presente em todos os instantes do nosso cotidiano parece se fazer maior quando atinge a elite hipócrita que finge não saber que contribui efetivamente para que ela aconteça.

Triste é saber que fazemos tão pouco para repará-la olhando muitas vezes apenas para os nossos problemas esquecemos que somos seres sociais e que o coletivo deveria sobressair ao individual.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Celebrar?


Celebrar o que nesta contemporaneidade?

Os pés descalços as barrigas vazias?

Queria ver as retinas e não mais enxergar fome, cansaço, desesperança

A singularidade deveria ser menor

A pluralidade é mais densa, porém disforme

Vislumbrar os protocolos lindos em papeis timbrados

E a vida que anseia vida acordos em desacordo

Favorecendo igualdades desiguais

Batendo a porta somente a urna eletrônica

O voto expressa antes da vontade a necessidade de um povo

Café, pão e leite

Camisetas propaganda, providenciais descamisados

Alienação enraizada perpétua

Políticos hipnotizadores vorazes

E a repressão maior se dá na fome

Pois quem na fraqueza consegue pensar?

Fica difícil juntar os pedaços

Quando nunca se teve o todo

Do muito que se faz necessário

Destinam-nos apenas o pouco

O inconformismo que conforma e cega

Sem entender o conceito de saciedade

Viver pra trabalhar somente

Trabalhar pra comer apenas

A paz de um homem injustamente medida,

No seu suor...

Ode a minha Familia

Poesia cantada vem do mais profundo da alma,

A terra seca as mãos calejadas a lida ardua,

Nasci aqui na pauliceia desvairada, avarenta, luxuriosa

Mas em minhas veias, o mais puro sangue NORDESTINO,

CERARENSE, por devoção e encantamento

De meu AVÔ; sabedoria

De meu PAI; orgulho

DE minha AVÓ; amor

De minha MÃE não menos que tudo,

O esforço a luta a FORÇA!

A vocês um simples mas sincero muito OBRIGADO!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aquoso

Aquoso
Eu, coadjuvante de mim
Esperando a chuva cair
Mirando o tempo passar

Iludindo meu reflexo ante o ohlepseespelho
Contando os minutos; solitários iguais a mim
Passando o dedo na borda do copo

Na fumaça teu semblante
Na memoria tua imagem; esse arsenal de coisas boas

E , esse boato feito bruma, bucólico
Da sua volta em mim
Meu sentimento cabalístico nem sei se cabe
Ao cabo desta solidão cabal

O amor; a mim antípoda
Felicidade apoucada
Angústia aprumada
E essa dor aquietante

Cidade

Nem vicio nem virtude
Que me eleve ou cure
Os doutores sem diploma
Pelas marquises da cidade

Os diplomados por conhecimento
Conhecem onde machucar

Da janela do prédio a criança avista
Seu reflexo adornado em pesadelo
Os pés descalços o solo quente
A mão pequenina estendida
O corpo fino, a fome larga
A inocência perdida
No colorido cinza da cidade...
Assim como me é forçada essa sobriedade de minha meia idade

Resta esta fragmentação da minha infância;onde

O cheiro e as cores na memória

Me levam a crer que a sofreguidão

Inerente a adolescência, volta invertida

Quando cruzamos metade da nossa reta...